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 | ô Charles
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LR - E o Tom, como é que entrou nessa ?
CL - Foi mais ou menos em 1955, quando a Silvinha (Telles) gravou com ele um single, um setenta e oito rotações. De um lado "Foi a noite" de Tom e Newton Mendonça e do outro lado "Menina". A fábrica era Odeon e um dia, quando eu estou em casa, de noite, o João Gilberto me ligou e disse: "ô Charles, tem uma pessoa aqui que quer falar com você" e passou o telefone para o outro: "Alô, Carlinhos, aqui é o Tom Jobim, eu sou o outro lado do disco. Olha, a sua música é linda, adorei, um beijo pra você !" Naquela época não se costumava dizer isso , "...um beijo pra você"... em l955, isso era bem avançado e eu fiquei perplexo. Depois disso, a gente começou a se aproximar e nessa época o João me chamou para ir até a casa do Tom. Ele morava na Barão da Torre e lá estava o Tom, passando as músicas para o João Gilberto.
Aliás, eu fui na casa do Tom, quando ele ainda morava na Nascimento Silva, quando ele me chamou uma vez. Ele me ligou e disse para eu ir até a casa dele, porque o Agostinho dos Santos iria até lá para pegar músicas para gravar, o Tom disse que ele cantava bem pra caramba, para eu mostrar músicas para ele, que ele ia fazer um disco, com arranjo do Luiz Arruda Paes.
E o Agostinho era engraçado, ficava alí em pé, em posição de lutador de boxe, de terno e gravata...
LR - Ele era fortinho, tinha um peito assim pra fora, forte pra xuxu...
CL - Ele queria ser moderno de qualquer maneira, queria cantar só coisas novas.
Procurou todo mundo e foi para o "Carnegie Hall", fazer "Manhã de Carnaval", em 1962, cantou e apareceu fazendo a voz do Orfeu, no filme Orfeu do Carnaval, do Vinícius e do Tom. Então, o Tom me chamou, teve aquela generosidade de chamar para mostrar as músicas - ele podia ter ficado quieto, mas não.
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