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agosto.96 |
| - Olha, Tom, meu nome é Luiz Roberto, você não me conhece pessoalmente, mas tem uma música minha que você conhece. | - Liga pra ele, Luiz ! Ele é legal. Ele gosta de "Tristeza de Amar", e toca no piano. Ele também vai gostar de te conhecer. | Era preciso vencer a timidez. Pegar no telefone, ligar, e suportar a expectativa de ouvir do outro lado a voz do músico já admiradíssimo. O que dizer a ele ? A canção "Tristeza de Amar", que fiz em parceria com Geraldo Vandré, era mesmo um bom pretexto. Já havia sido gravada algumas vezes, e muitos músicos e cantores gostavam dela. Me pediam: "Luiz - toca aquela tua música." |
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Cantarolei um trecho. - Ah, você é o Luiz Roberto que fez essa música ! É muito bonita mesmo. | Acho que a pessoa que primeiro me falou dele foi o Carlinhos Lyra. Na aula de violão, à mesa da sala de jantar do pequeno apartamento em Copacabana. - Tem aí um cara chamado Tom. Toca um piano diferente, uns acordes incríveis, umas músicas lindas. É o rei do bom gosto - toca poucas notas, e cada uma cai no seu lugar certinho. |
| - Pois é, Tom. Eu toco violão, gosto de compor. Nasci no Rio, e agora estou morando em São Paulo, mas de vez em quando passo uns fins de semana por aí - para pegar umas praias. | Não sei bem qual foi a primeira música do Tom que eu ouvi. Mas, entre essas primeiras impressões, me lembro muito de "Foi a Noite" - naquele disco que eu não conseguia parar de ouvir, "Carícia", com a Silvinha Telles. Tinha também o "Por Causa de Você", com o Tom fazendo a introdução inesquecível, que eu horas a fio repetia no violão. |
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Não posso esquecer O teu olhar Longe dos olhos meus (Vinicius) | O Orfeu também ouvi nesta época. Aqueles sambas, ainda no jeitão da batucada. Como um prenúncio do que iria acontecer, já me fascinavam. |
Durante uma aula, o Carlinhos Lyra me disse: - Você precisa ouvir um baiano que chegou por aqui, que toca no violão uma batida de samba diferente, umas harmonias simples e muito bem feitas. O nome dele é João Gilberto. Ele ainda vai dar o que falar. |
![]() Daniel Jobim, neto de Tom |
Quem sabe Eu voltarei outra vez Num raio claro de sol Ou num pingo de chuva Que cai de manhã... (Billy Blanco) |
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O Menescal um dia me contou: - Conheci o Tom ! Ele é demais ! Fomos para um bar, tomamos um chopp e ele ficou falando. Falou muito de música, e me estimulou muito. - O Tom tem uma técnica recolhida, nunca erra nada, e é econômico nos acordes. |
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- Então, quando vier ao Rio, me telefone e apareça aqui em casa.
No domingo seguinte, de manhã, eu ligava para ele: - Estou aqui pertinho - na Barão da Torre. - Estamos na mesma rua ! Venha para cá. Era uma pequena casa de dois andares, com umas plantas na frente. Fiquei algum tempo parado junto ao portão, e finalmente me decidi e toquei a campaínha. Lembro-me daqueles momentos de espera, do bairro tão tranquilo que era Ipanema, da porta da varanda se abrindo aos poucos, e de Tom me convidando a entrar. |
Luiz Roberto Oliveira é músico e diretor da produtora Norte Magnético.
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